segunda-feira, 13 de abril de 2009

“Mappin, venha correndo, Mappin, chegou a hora Mappin, é a liquidação!”

Hoje, dia 13 de abril, o Clube Amigos da Boa Nova, aguçou a nostalgia de todos ao tocar o jingle. Quem é que não se enche de saudade quando lembra das lojas Mappin que era uma referência, um verdadeiro ponto de encontro onde novos casais se conheciam bem em frente do Teatro Municipal ... Ah, eram dias de glória!

Senhoras enluvadas frequentaram seu famoso restaurante, mocinhas elegantes frequentavam seu famoso salão de chá. Marcava-se encontro em frente ao Mappin, admiravam-se as vitrinas do Mappin. O relógio do Mappin era referência na cidade. Mas tudo foi ficando para trás. Aos 86 anos o Mappin morreu. Nas mãos do mesmo homem em que morreu sua concorrente Mesbla.

O Mappin completa este ano 10 anos de falência. O seu fechamento deixou todo mundo perplexo na época, as pessoas comentavam sobre o fato.

De acordo com artigo de Abramo Nicola Battilana, o Mappin nasceu com o nome Mappin Stores, em 1913, pelas mãos astuciosas dos irmãos ingleses Walter John Mappin e Herbert Joseph Mappin. Na época, contava com 11 departamentos, 40 funcionários e estava localizado na rua XV de Novembro. Seis anos mais tarde, a loja passou a ocupar um prédio na Praça do Patriarca, já contando com 34 departamentos e mais de 200 empregados.

Em 1939 - olhe só, a época em muitos curtiam a juventude- o Mappin se mudou para o que se tornaria a sua loja mais famosa: o prédio João Brícola, próximo ao conhecidíssimo Viaduto do Chá e em frente ao Teatro Municipal de São Paulo. Essa loja era enorme! Em um andar havia só brinquedos, em outro, somente roupas, e assim por diante.

No início, o Mappin foi um lugar bastante requintado, vendia apenas produtos importados e oferecia serviços como salão de chá e barbearia à população mais nobre de São Paulo. Esse cenário mudou quando o empresário do café Alberto Alves Filho assumiu a operação da empresa, no início da década de 1950, devido às dificuldades que os antigos controladores tinham em se adaptar à nova realidade econômica do estado. Foi essa mudança que fez com que o Mappin passasse a comercializar produtos nacionais e atrair uma clientela com menos recursos financeiros.

Alberto Alves Filho permaneceu no comando do Mappin até a sua morte, em 1982. Durante esse tempo, fez o Mappin ser inovador em muitos aspectos: aumentou o número de lojas, implementou o sistema de pagamento por crediário (isso em 1953), montou uma financiadora e, em 1972, criou o sistema de crédito automático. Ainda cuidou da modernização de suas lojas, fazendo estudos para a implementação de sistemas de automação.

Tanto trabalho fez do Mappin uma empresa admirada. Uma pesquisa feita pelo Gallup, em 1984, mostrou que 97% da população paulistana conhecia o Mappin, sendo que 64% dos entrevistados já havia feito compras na loja. Neste mesmo ano, a revista Exame concedeu ao Mappin o título de “Melhor empresa no varejo dos últimos 10 anos”. Era uma companhia fantástica até mesmo para os funcionários, basta perguntar aos ex-colaboradores da empresa para comprovar isso!

Mesmo com o falecimento de Alberto Alves Filho, o Mappin seguiu crescendo. Abriu várias unidades, inclusive em shoppings, e continuou com a sua política de oferecer os mais variados produtos. No entanto, em 1995, uma notícia fez os alicerces do Mappin se abalarem de tal forma que nunca mais houve recuperação: a empresa anunciou o maior prejuízo de sua história, no valor de 19,46 milhões de reais.

Em 1996, o grupo Casa Anglo, que controlava o Mappin, vendeu a Financiadora Mappin para o BBA Credistaltant por 50 milhões de reais. No mesmo ano, foi a vez do Mappin em si ser vendido pela bagatela de 25 milhões de reais. O comprador foi uma empresa de nome United Indústria e Comércio, pertencente a Ricardo Mansur. Ainda em 1996, o empresário fechou a compra do banco Antônio de Queiroz, que mais tarde passou a se chamar Crefisul. As compras não pararam por aí: em 1997, foi a vez da também tradicional cadeia de lojas Mesbla ser adquirida.

Neste ponto, começa uma trama complexa, confusa e vergonhosa, tendo Mansur como principal vilão (para não dizer o único). A compra do Mappin não se mostrou errada, afinal, a empresa não estava bem das pernas, mas também não estava morta. No entanto, a ambição de Ricardo Mansur foi longe demais com a compra da Mesbla. Essa sim estava quebrada, e Mansur acabou investindo nela recursos do Mappin e do banco Crefisul, já que o seu “padrinho” Lázaro Brandão, ex-presidente do banco Bradesco e principal apoiador financeiro da aquisição do Mappin, não foi favorável à nova compra. Nada mais natural, afinal, Mansur fez jogadas financeiras arriscadas e estranhas nesse período e perdeu toda a pouca confiabilidade que tinha. Como resultado, o Banco Central acabou com a Crefisul, os fornecedores deixaram de receber os pagamentos devidos pela Mesbla e pelo Mappin, e, conseqüentemente, dezenas de processos de falência foram abertos contra ambas as empresas.

Nem a contratação de José Paulo Amaral, executivo contratado para salvar ambas as empresas, foi capaz de impedir o inevitável: em 1999, a Justiça mandou o Mappin fechar as suas portas, assim como a Mesbla, colocando centenas de dedicados funcionários no olho da rua e fazendo com que São Paulo perdesse duas de suas mais tradicionais lojas de varejo.
A perda certamente se estende a todo o Brasil: se o Mappin ainda estivesse de pé, provavelmente estaria hoje presente em vários estados e, talvez, teríamos um rumo diferente para o comércio eletrônico no país. Pouca gente sabe, mas o Mappin chegou a comercializar produtos pela internet. De acordo com uma matéria de 16/09/1997 da Folha de São Paulo, o Mappin criou um site de vendas em 1996, mas fechou uma parceria com o UOL no ano seguinte para ampliar a oferta de produtos. Foi, portanto, uma das pioneiras do comércio eletrônico brasileiro e poderia ter tido um nome tão forte quanto o Submarino e a Americanas.com.

Aos paulistanos sobraram nomes como Casas Bahia, Americanas, Pernambucanas, Ponto Frio, Renner, C&A e, claro, os shoppings, mas nada lembra de perto os bons tempos do Mappin. Quem passa em frente ao prédio que o Mappin ocupou na Praça Ramos de Azevedo, não vai precisar ver uma mulher com uma sacola com os dizeres “Mappin” para se lembrar dos belos enfeites de natal, das vitrines chamativas, da variedade de produtos, das liquidações (que eram realmente liquidações).

Informações extraídas do texto de Emerson Alecrim.


8 comentários:

  1. Realmente foi um susto o fechamento do Mappim.
    Tenho belas lembranças, desde compras feitas com meus pais quando eu era criança, passando pelos móveis e enxoval do meu casamento e até aos brinquedos dos meus filhos.
    Mas o que não vai se calar nunca é justamente o jingle mais famoso do Brasil....

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  2. Consegui curtir um pouco do Mappin. Sinto saudades da magia de passear lá, passear de metrô, sem contar que lá no Mappin eu andava de elevador e era o máximo! Poucas vezes meu pai me levou no Mappin, mas foram suficientes pra eu não esquecer!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Caro Manoel, apesar de nunca ter conhecido o Mappin, gosto muito de ouvir falar das coisas importantes de nosso passado. Tudo que nos trouxe alegria, deve ser lembrado com respeito, e com a mesma alegria que nos proporcionou, não é verdade? Lembrei que existe um "arquivo da internet", chama-se "Internet Archive - Wayback Machine". Este site "guarda" tudo o que já foi e está sendo postado nos hds, internet à fora. Imagina a quantidade de informações armazenadas, em Manoel? Daí, fui fazer uma visitinha, e encontrei, nada mais, nada menos, que o histórico de sites do Mappin. Estou postando o endereço aqui, porque sei que você e os queridos ouvintes do Clube Amigos da Boa Nova, gostarão muito de poder visualizar as antigas páginas do Mappin, cuja primeira foi postada em 10 de novembro de 1996, segundo o site "Internet Archive". Eis o endereço:
    http://web.archive.org/web/*/http://www.mappin.com.br
    Note que existiu possibilidades de retorno do site do Mappin, de 2003 a 2008, através de uma parceria com uma outra empresa famosa, o que aparentemente sugere que isso ainda pode acontecer. Será, Manoel? Tomara.
    Um grande abraço.
    Sérgio Pinho.
    Itabuna/Ba.

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  5. MAPPIN, fez parte da miha infancia,qdo chegava fim de ano ia para casa do meu pai em sao paulo,ele nos levava para comprar presentes de natal,erra muito grandioso para nos,qdos prinquedos, elevador, erra uma festa so,foi uns deste fim de ano que ganhei minha primeira boneca que chorrava,meus irmaos primeiro trenzinho, nossa primeira sonada, so festa, meu irmao tem o trem ate hoje ele tem 41anos hoje, coisas boas .

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  6. que tal alguem ressucitar essa marca com uma nova loja com uma visao mais humana que nao seja so o lucro pelo lucro mas buscando a felicidade dos clientes e colaboradores voltando no tempo em busca de valores!

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  7. MEU PAI SEMPRE COMENTA DESTA LOJA,SEU PRIMEIRO CARTÃO FOI DELA,ERA UM GRANDE ORGULHO PARA OS PAULISTANOS ,MEU PAI TAMBEM FOI FORNECEDOR DE MERCADORIAS PARA O MAPPIM SLE FABRICAVA ARTIGOS EM COURO NA EPOCA ELE TEM MUITA SAUDADES ESTE NOME MARCOU MUITO...........

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  8. O Mappin praticamente foi a primeira empresa que comecei a trabalhar, foi muito bom enquanto durou saí somente com o fechamento porque se não eu ia aposentar lá; pena que não deu.

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